domingo, 29 de abril de 2012

Você ainda fuma seu primeiro cigarro logo ao acordar?

Puxo as cortinas como sempre e como sempre revisito palmo a palmo o plano emoldurado da janela. Abro-me para as cores repetidas de outro dia tão igual, tão calorento quanto qualquer outro que eu tenha vivido por dentro, por entre todos os vazios malcheirosos de seus mortos incontáveis, rente à falta de habilidade daqueles que me esbarram desconhecidos, mas que se comovem caso não consiga espiar pela moldura mais uma fresca sensação de dia seguinte, recomeço zumbido nos sons de um sempre matinal entre preguiças e saudades. Volvo para um mar de levezas que garoam e coo o café que me acorda para outras visões; são calmarias que acalanto sozinha sentada a um dos banquinhos da cozinha e que devoro depois. Também me derramo no banho e transpiro tantos planos consiga até me arrepender pela demora; não me culpo muito tempo, mas o suficiente. Nem se trata de uma dor aos domingos ou em plena segunda-feira de sol derretido por todos os poros, nem de espezinhar o resto dos dias da semana como baganas que degustei no escuro e depois apaguei descuidada. Não se trata mesmo de acordar com os pulsos cortados e constatar que lá fora as pessoas continuam sorrindo maquinais e que eu também lhes sorrio como que arrependida e sem tempo, como se não tivesse notícias de quem um dia puxou as cortinas como sempre e como sempre me desejou bom dia.

5 comentários:

Si, Fosse Algo seria o Nada disse...

Só os amores impossíveis são eternos...eternos e monótonos como acordar todos os dias só.

Bjs! Semana linda procê!

Maria Luiza disse...

Lindo, doce e envolvente!

Amei.

elvira carvalho disse...

Mais um artigo muito bom sobre a rotina do dia a dia, o amor e a solidão.
Amigo gostaria que passasse pelo Sexta que hoje é aniversariante.
Um abraço e boa semana

f@ disse...

Olá Sérgio,
só amanhecer dentro de nós deixa as auroras todas coloridas… e muito mais ampla a janela...
aberta para o cortinado esvoaçar como asas de um pássaro que acaba de ganhar o céu…

Beijinhos

Vanuza Pantaleão disse...

Serginho querido,
Demoro a ir no gmail, mas que bom quando te encontro por lá.

Uma voz feminina fala na primeira pessoa no seu texto.
Ela fuma, coa café, mas não corta os pulsos. As pessoas maquinais, enquanto isso, continuam sorrindo.Ainda bem, não suporto ver sangue, rs.

Bem, nesse ínterim, venho te desejar um bom final de semana e muitos beijinhos!!!

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