domingo, 1 de abril de 2012

A tempestade

Talvez eu voltasse àquele ponto exato da conversa e você me interrompesse apontando o horizonte chumbado àquilo tão bem definido como fim de mundo e eu insistisse que se danasse a tempestade e pedisse outra cerveja e você mais uma vez retornasse para dentro de uma confusão futura prevendo ruas alagadas e fizesse menção de chamar um taxi que se deslocasse o mais rápido possível para os lados de um mundo a salvo.
Talvez.
Talvez não fizesse mesmo sentido acordar todas as manhãs, olhar-se entristecido ainda e procurar um rosto no espelho que se parecesse um pouco comigo e só então avisar que já estou indo buscar o pão e que talvez eu passe na banca e pergunte se o seu fascículo já chegou e que também posso olhar o céu pelo tempo que for preciso e descobrir que um dia entre uma cerveja e outra você resolva fugir da chuva deixando-me só com dois copos no balcão.
Talvez eu lhe pegasse pela mão, mas não tão firme que a mantivesse perto de mim e outra vez olhasse o castanho dos seus olhos como quem olha a própria vida se afastando e se afastando talvez você descobrisse que a salvo de mim toda vez que abro os olhos de manhã desejando-lhe boa sorte e que a trago nos bilhetes rotos que talvez eu tenha que salvar das águas já que me decidi pelo horizonte chumbado àquilo que imagino como sendo a tempestade.

Foto: Sean Heavey

9 comentários:

Si, Fosse Algo seria o Nada disse...

Lembra sobre a conversa sobre vasos ruins? Cuide-se, pq vc é vaso muito bom!!! bjs

vera basile disse...

Amei Serginho!! Saudades...Bjs

lidia-la escriba-www.deloquenosehabla.blogspot.com disse...

tal vez a mi me pase,tal vez!
precioso!!!gracias
lidia-la escriba


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Maria Luiza disse...

Adorei Sé!
Não me lembro de ter lido alguma coisa sua que não tenha gostado.
Parabéns!
Maria Luiza

elvira carvalho disse...

Gostei muito do texto, embora não tenha a certeza de o ter entendido bem. Parece um desenrolar de sentimentos contraditórios que vai em crescendo até terminar num desespero tamanho em que mergulha como barco sem rumo.
Um abraço e Páscoa Feliz.

ONG ALERTA disse...

Um barco um dia chega a uma margem, abraço Lisette.

Vanuza Pantaleão disse...

Essas situações imprecisas, impressionistas, imprimem na mente que mente pra gente, a triste incerteza de um "talvez".
Menino, mas que coisa boa demais é vir aqui!

Uma Páscoa bem achocolatada para ti, Serginho!!!

PS: Seu comentário por lá saiu em dose dupla e os liberei assim mesmo. Ter você duas vezes na nossa página é uma honra e quis o destino que assim fosse.
Beijinhos...

elvira carvalho disse...

Vim deixar um abraço e desejar que tenha uma Páscoa muito feliz e sem tempestades

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Nilson Barcelli disse...

Há muitos "talvez" nas nossas vidas. Que nem a certeza da cerveja consegue resolver...
Magnífico texo, gostei muito.
Caro amigo, boa Páscoa.
Abraço.

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