domingo, 15 de agosto de 2010

Dos sentidos e dos abraços


Não gostaria de contar-lhe esta estória nem de levá-la pela mão como a uma criança indefesa. Preferiria que o semáforo fosse menos econômico com seu troca-troca de cores e permitisse que você chegasse cedo só para me dar mais algum tempo e finalmente realizar aquele sonho, lembra? Na janela sobre a cidade, como no filme “império dos sentidos”, claro que poderíamos fazê-lo a qualquer hora e não necessariamente em um dia sem trânsito ou de semáforos eternamente abertos para você, mas queria tanto que fosse hoje e que depois você seguisse sozinha e voltasse sem avisos, me surpreendesse falando sozinho ou dançando no escuro, imitando Gene Kelly sem correr o risco de ser flagrado sem o sorriso e sem a malícia. Gostaria das coisas mais simples, quem sabe nem aqui, poderia ser na rua, ao acaso, um esbarrão na esquina, uma consulta sobre o melhor caminho ou a conclusão de que não existem caminhos, um gesto educado permitindo que você pegasse o táxi e a distância apagando a possibilidade de um telefonema, quem sabe um pedido idêntico no balcão da padaria e então os olhares, os risos, a aproximação. A escolha do filme (os detalhes do “império”, ou ainda aquela cisma com o “último tango”, tem também a culinária de “9 E MEIA semanas”), as indecisões sobre a mesa e a roupa de cama, a cor da cortina, bobagens tão imensas e aprazíveis. Mas, quase nada é como desejamos e então, tenho que convencê-la, persuadi-la, enganar-me pensando que a conquistei. De qualquer modo, quando chegar, entre direto, não bata, estarei acordado admirando as luzes da cidade, indefeso, de costas, pronto para receber o teu abraço.

14 comentários:

Pelos caminhos da vida. disse...

Fazi um tempinho mesmo que eu não vinha aqui.

Gostei do seu amor urbano, me fez lembrar desses filmes ai.

beijooo.

Vanuza Pantaleão disse...

Ai, que lindo esse finalzinho, amigo!
Tudo tão interessante, tão urbanamente sem sentido e muito sentido...

Tô te esperando por lá e faz tempo, sabia? Acho até que você não gosta mais de mim, hahahaha.
Falo sério!

Outro beijabraço pr'ocê também!!!

Maria disse...

Olá caríssimo !!! Pois é...o tempo aqui é movido à lenha, com muito vento, e um frioooooo...mas aos pouquinhos as palavras voam...bom estar mesmo aqui!!!

Oliver Pickwick disse...

É mesmo, há quanto tempo, hein? É bom "vê-lo" de novo pelas terras do condado, que, por acaso, andam meio abandonadas.
Os três filmes referenciados são co-irmãos da sua crônica, isto é, demasiadamente urbanos. Continua o mesmo, eterno poeta dos amores da selva de concreto e aço. A sua maestria em "destilar" essas cenas é que melhora a cada dia.
Um abraço!

Anônimo disse...

Você precisa escrever mais,e mais.....

Anônimo disse...

Você precisa escrever mais e mais....

Anônimo disse...

sen sa cio nalllllllllllll!!

abs!!

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

a urbanidade nos tira a pele e nos recobre de nuvem cinza

f@ disse...

Olá Sérgio,

vim deixar beijinhoss

f@ disse...

Sim sim...
beijinhos

f@ disse...

Olá Sérgio...
vou bater mto e com força...
parece que dormes profundamente...


a cor da ... silencio


beijinhosssssssssssssssssssss

Vera Basile disse...

Preciso te ilustrar!
Saudades do caramba Sérginho!!!!
Bjos
;)

disse...

Truz truz....
Sérgio posso bater já que estás acordado...
fico a admirar essa crónica de luzes brilhantes sempre tão altas no silencio da noite.. essa que sabes dizer com um olhar único.

o abraço e beijinho
fa

Analuka disse...

Caro amigo, por onde andas???... Esta tua última postagem é de agosto!...
Passo para deixar abraços alados azuis, e desejar um Ano Novo pleno e prenhe de poesia, amor e arte!...e espero que postes novos escritos. Beijos pintados!

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