domingo, 17 de junho de 2012

Aprendiz

(deitar-me e ler-te, então)
Quero teu corpo como a um livro que eu escreva não com as palavras que nasçam em mim, mas com as súplicas dos anos em que deixamos de sonhar; talvez não queira escrevê-lo, mas lê-lo em segredo de criança, ouvir-lhe as entrelinhas sussurradas, desvendar-lhe os versos nas pontas dos meus dedos literatos e pacientemente participar de uma ode a dois na qual tu gemas versos de indelicadezas sensuais e meus ais pronunciem o desejo de mais uma página. Quero escrever-te como a um jornal diário dizendo-te além do amor todas as paixões em seções inesperadas, paixões escritas e inscritas na imensidão que olhas perdida quando a pontuação evidencia pausas e respirações, quando os parágrafos altercarem não ideias, mas a cidadela sitiada entre os montes da minha inspiração. Também preciso que me escrevas no vão retido tênue da alma-ave migratória que fazes voar todo mês, nave-mãe de sóis criados à sorte dos dizeres descabidos, poema em si despido de palavras exatas, incontida senhora das horas em que me amarras à sombra de tuas coxas poderosas e me sufoca com teus sufixos sulcados às minhas costas. Então o recuo ante o final; mais um capítulo ao tantra, mais um paraíso de algodão amarfanhado pelas mãos, mais um tremor espalhando letras pelo chão.

2 comentários:

Analuka disse...

Querido amigo, o texto está lindo, e adoro teu estilo pulsante, sensível, sensual, simbólico, sinestésico de tecer e pintar e musicar com as letras!!! Porém, um detalhe: que tal colocar um tamanho maior nas letras? (lembro de já ter sugerido isto uma vez, hehehe!). Ficaria ainda melhor para desfrutar da beleza e sensualidade de tua escrita. Abraços alados azuis!

Si, Fosse Algo seria o Nada disse...

E que sempre tenham letras de sobra. Bjs

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