domingo, 13 de fevereiro de 2011

Assim, feito uma velha folha em branco

Algumas horas quarando ao sol, só o claro absoluto borrado por todos os lados e sentidos despejado em plena anestesia de sabores e visões. Há uma calmaria fingida ao fundo, uma espécie de torpor que emudece até a alma. Sinto-me atado aos destroços de um fim de semana laqueado, do qual desperto tantas vezes e tantas outras desvaneço. O sol nem é sol, é mais um arremedo sobrenatural amarelecido não de si, mas dos olhos que não o suportam; e o claro nem arrefece ou prostra como é próprio das luzes intensas, ao contrário arrebata, desmemoria toda sorte de quereres, aqueles que nos ferem o coração e o baixo ventre numa sucessão de beijos e arremates, golpes e estocadas, fugas e olhares, olhares impossíveis de sol, sol impossível de festa, pois, precisamente à uma hora dessas toda festa é um princípio de sol borrado por todos os lados.

3 comentários:

Vanuza Pantaleão disse...

Bom dia, Serginho!
Esse sol impressionista, esse sol dos amantes que se desmancham em prazeres da carne, "um sol borrado para todos os lados", esse sol - ou seria um que quadro? - só você poderia emoldurá-lo e enquadrá-lo com a tua prosa que corre solta, sem medo de tropeçar e se tropeçasse ficaria mais encantadora ainda.
Menino bom, me escute, eu tenho que "obrigá-lo" (com doçura) a aparecer, sim. Mais pela saudade e também porque teu sol tem que brilhar em todos os cantos dessa blogosfera. Por isso, não suma de nós. Você jurou, viu? Jura não se quebra! Hahahaha.
Uma ensolarada semana, amigo!!!
Beijos

Analuka disse...

...E, falando em sol, viste como anda linda a lua?... Lendo teu texto fiquei pensando, nesta necessidade de alternâncias, entre luz e sombra, prazer e dor, euforia e melancolia, pelas quais transitamos nós humanos, errantes e desejantes, sonhadores, buscando sempre algo inatingível, algo que cintila por vezes nas frestas dos dias, nos instantes, como cintilar de estrelas, que nos sorriem e logo se esvaem... Porém, é exatamente esta impossibilidade de tocar e apreender o fugidio que nos permite desejar, desejar, desejar!... Beijos pintados e alados!

Vanuza Pantaleão disse...

Amigo do coração,
Reler um texto como o seu, sempre nos faz "puxar mais um fio do tapete", como diria Clarice Lispector.
"...um arremedo sobrenatural amarelecido..."
Um sol inexistente, mas intenso.
Obrigada pelas lindas flores, Serginho!
Ótimo final de semana...
PS: Gostas de filmes estranhos? Sobrenaturais? Passa por lá...tenho umas dicas.
Beijossssss

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