domingo, 30 de janeiro de 2011

A perdição do seu olhar

Há um olhar perdido que se atira na contramão; é um olhar de longe, de um espaço sem domingos sem feiras e sem amigos, onde não se faz apropriado um aceno nem piscadelas de passagem muito menos que se deseje o corpo de alguém só porque esse alguém também pareça perdido quando enfrenta a espuma do mar e por alguns segundos se lance iemanjá e surja mulher, uma alma tão mais radiante perseguindo outros mares que nos habitam revoltos e investem contra a noite trazendo pesadelos cujas patas se deixam marcadas na poeira ancestral dos móveis, nas camas que só mesmo um gemido alcança quando feito lança perpassa estes corpos aos pés da morte. Mas, não há temor nem rendição, há um clamor de velhas águas noturnas que cochicham junto às guias, por sobre deusas abstratas que no fundo da memória jazem decapitadas. Há um fervor por todas estas águas noturnas que saram nossas pústulas em troca de pequeninos dramas suportáveis. Há um drama em todos os espelhos, por dentro das estórias que não se contam, por entre as contas do terço que não escolhe missa, rindo das anedotas mal contadas, espiando o prazer dos amantes que se banham nas mesmas águas noturnas que para sempre seriam mar não fossem irremediavelmente um jeito perdido de olhar.

6 comentários:

Jacinta Dantas disse...

Oi Sergio,
estou aqui, colocando a leitura em dia e me perdendo nas suas letras. Na verdade, eu leio, releio... depois volto e leio de novo. Sempre assim. Acho isso gostoso. Esse jeito de me instigar a tentar desvendar o que vai nas linhas e entrelinhas. Então, leio-te.

E aqui, com o olhar perdido, vou sentindo que Escutar-se no olhar é tão simples e tão complexo - tudo ao mesmo tempo, que nos causa essas "perdições". Olhar-se é difícil, dolorido, e a gente vai remediando perdendo-se no olhar perdido dos outros.

Ai meu Deus!
divaguei, divaguei. Mas é por aí. E eu gosto disso.

um abraço

Apareça lá no meu florescer. Vou gostar de sentir o seu olhar sobre meus rabiscos.

Multiolhares disse...

Dizem que o olhar é o espelho da alma, será que há olhares enganadores,existe uma mistica entre o mar e o olhar.
Bj

Vanuza Pantaleão disse...

Deusas lançam olhares dramáticos sobre pústulas e amantes. Será que consegui imitar você?

Menino, tu foste abduzido por algum ET? Como uma pessoa linda dessas some assim, pluft, da blogosfera?

Quero essa Trama lá, juntinho com a gente!!!Bjssss

Analuka disse...

Ui! Texto um tanto tenebroso,hehehe! Porém, ainda assim, falando sobre pesadelos ou dramas ou pústulas, tua escrita possui uma leveza poética, e um balanço parecido à correnteza dos rios que podem ser mansos ou violentos, podem acolher ou destruir... Sim, gosto de tua escrita pulsante e às vezes vaporosa, uma escrita sempre em trânsito entre a suavidade e a fúria!... Abraços alados, amigo.

Anônimo disse...

Meu eterno poeta!
Seus textos, faz com que eu sinta o calor de minha alma.
Bjs!

Anônimo disse...

Senti muito sua falta!
Pq. parou de escrever?
Textos maravilhosos.
Um grande abraço meu amigo poeta!

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