segunda-feira, 7 de julho de 2008

De tanto você

De tanto você perco noites e dias caminhando sem rumo tanto que o prumo de mim balouça fim adentro.
Perco porque me esqueço ardendo das febres que você inspira por dentro e das vodkas servidas às tantas e em chamas.
De tanto você
nada resolvo
com a luz não me envolvo e não volvo para ver Almodóvar no cineclube da esquina.
Fico te assistindo alegórica meteórica
passista de cinta-liga que me desliga e programa para quando quiser e bem entender.
De tanto você me aprisiono, me rendo, me encanto, cedo meu canto e meus arredores
deito meu pranto e adormeço para melhor te comer.
De tanto você espio revistas
passo em revista meu mundo e invisto artista numa tela que amanhece sem me ver.
De tanto você cego meus olhos num blues de céu atônito e remôo minha cômica pose démodé.
De tanto você me esquecer nem mesmo sei quem sou,
imagino que talvez um verme adubando teus quintais florais, talvez brisa na finita vastidão suspensa dos teus varais, mais ainda pó repousado nos teus poros salinos.
De tanto você não me ver não mais me reconheço franzo o cenho frente ao espelho que também não me olha e me toco para existir. Quando estremeço e procuro alguém ao meu lado não há quem me satisfaça de tanto você.

18 comentários:

Analuka disse...

Primoroso retrato poético do ser apaixonado!!! Mas, mais do que se perder no outro, é bom quando conseguimos nos reencontrar, neste encontro intenso de mundos... Abraços alados, amigo.

Crisfonseca disse...

Arte e mais arte.
Belas palavras intensas, apaixonadas, solitárias no sentimento, mas porém belas.
Este desenho esta livre quanto a escrita, adorei-o.
Parabéns
Beijos,
Cris

Rose disse...

olá amigo Sérgio...amor intenso este...


de tanto você escrever bem fico fascinada aqui neste espaço...

abraços

SAMANTHA ABREU disse...

oww, puxa!
casa nova... e cheia de coisa boa.
Teus textos, amigo, como sempre muito belos. Dá gosto de ler...


ps: essa coisa de blog é, mesmo, muito bacana! A gente se envolve de tal maneira... com tanta gente! É delícia! rs. Um beiJOOO

f@ disse...

Mui….tissimo bom…Gostei imenso
Sem rumo … com as letras que encontras e ligas em palavras assim….neste horizonte ur gente mente… se lê vermelho, a distância do mar… e balouçam ondas… das emoções …

“De tanto você cego meus olhos num blues de céu …talvez brisa na finita vastidão suspensa dos teus varais, mais ainda pó repousado nos teus poros sal….” mto bonito

Pena que não se pode comentar com imagens…
Beijito das nuvens

VeraBasile disse...

Escuto o canto de uma sereia, algo mágico toda vez q leio suas palavras que constroem imagens, cenas e momentos q c certeza quem já amou ou viveu uma grande paixão se identifica..
"passo em revista meu mundo e invisto artista numa tela que amanhece sem me ver." Muito lindo, muito lindo!!
PS: O Blog está super bacana, mas como sou hiper chata digo: gostei mais da imagem do homem sentado de costas..rs..
Beijão ;)

Sr do Vale disse...

talvez brisa na finita vastidão suspensa dos teus varais...

Mano Sérginho, por si só a frase acima bastava, de tanta poesia.

Meu grande amigo, de grandes lembranças, cantarolando as fogueiras de jasmim, as águas férreas, e o pão com ovo que comemos em sua casa, um certo natal.
Como eramos e somos felizes por esses momentos tão significativos.

Peço um desconto, pela minha ausência, o tempo que me sobra, viajo nas pinturas, as quais sinto que a cada momento tomam conta de mim.

Espero que tenhamos mais parcerias, pois gostei muito do Garfo de Dalí, ao qual irei reposta-lo em breve no Partículas do Sentido, se você me permitir.


Um grande abraço.
E aguardo por mais parcerias.

Paula Crespo disse...

De tanto você me aprisiono, me rendo, me encanto, cedo meu canto e meus arredores
deito meu pranto e adormeço para melhor te comer.

Magnífico! Uma aguarela perfeita!
Bjs!

Paula Crespo disse...

Ah, e esqueci-me de acrescentar que a música continua nos seus poemas...:)

Analuka disse...

Caríssimo amigo poeta, te convido a voltar ao blog Ânkoras & Asas e ler um poema de Ana Guimarães que postei ontem. Achei que tinha tudo a ver com o "tom" e teor do momento metamórfico e meditativo... Abraços alados!

Veneide, sem clone disse...

"...e procuro alguém ao meu lado não há quem me satisfaça de tanto você."

Você tem razão: o amor, não se substitui.
Amei seu espaço encantado.
bjs

Bill Stein Husenbar disse...

Maravilhoso.

Adorei conhecer esta morada...

Parabéns.

http://desabafos-solitarios.blogspot.com/

Maria disse...

Uauuu
menino...adorei mesmo a nova arrumação da casa !!!
agora...Sérgio...que lindo poema. mesmo!!! de tanto você...de tanta poesia, de tanta delicadeza...dá vontade de se perder rs...
grande, grande beijo !!!

Jacinta Dantas disse...

De tanto você, de tanto você, de tanto você.... essa repetição toca em mim como o pulsar do coração, o pulsar com taquicardia, acelerado, que transborda de amor e entorna. Entornando, fica ansioso para esvaziar-se e fazer-se livre para um novo amor. É, acho que viajei legal nas suas letras, mas, poema prá mim é assim: coloco-me inteira nele.
Um abraço

Marilia disse...

meu querido amigo, seus textos continuam lindos. porém, o que mais me impressiona é que ao lê-los, sua imagem fica instantaneamente clara pra mim. É como se eu ouvisse as palavras diretamente de você... beijos

Dani Porto disse...

Sérgio me diz como é possível essa trama ter ficado ainda mais bacana? está tudo muito lindo, cada letra, cada imagem...
"De tanto você, escrever lindas letras que gostaria de ouvi-las, porém, saceio minhas vontades durante a madrugada a descobrir."
De tando você é lindo demais!!!!
"De tanto você cego meus olhos num blues de céu atônito e remôo minha cômica pose démodé." (adorei!)

bjos

Oliver Pickwick disse...

De um só texto, reinventou, estilizou e deu ares de modernidade à Geração Beatnik, ao Tropicalismo e à Nouvelle Vague. Também gostei da escolha do título a la Bossa Nova/Beco das garrafas.
A linguagem é tão primorosa e criativa que, por pouco não esqueço da beleza da poesia.
Continuo seu fã e freguês.

***
Algumas respostas aos seus últimos comentários no condado:

- Confesso, às vezes faço uso do didatismo exclusivamente com fins verborrágicos. Contudo, na maioria das vezes é para esclarecer mais. Há leitores de conhecimento mediano em meu site. Não aprecio o costume de deixar leitores flutuando. Talvez, influência dos meus tempos de professor de matemática de cursinho pré-vestibular. Ou o aluno entendia direitinho, ou levava pau no vestibular.

- Em muitos casos utilizo das notas de rodapé por causa do grande número de leitores portugueses que visitam o meu blog. Em palavras de origem tupi-guarani, africanas e abrasileiradas demais.

- Tem razão acerca do final abrupto da minha história. Até o reescrevi, depois de ler o seu comentário. Espero que não me cobre consultoria.
Sou um romancista, não aprecio muito escrever textos curtos. O meu primeiro livro, a ser publicado por uma grande editora nacional no segundo semestre do próximo ano, é um livro de contos (inclusive com alguns que postei no blog) exclusivamente porque o meu primeiro romance é uma trilogia, com aproximadamente 400 páginas, cada um.
Fui recomendado à esta editora pela falecida Zélia Gattai, que se deu ao trabalho de ler o meu romance.
Um livro de 400 páginas é um projeto caro, mesmo para uma grande editora e, de alto risco, vez que escrito por um ilustre desconhecido. Assim, os caras optaram por um livro de contos com o objetivo de me tornar um pouco conhecido nos meios literários e, no segundo semestre de 2010, publicam o romance. A editora é uma multinacional, e os gringos planejam um esquema monstruoso de marketing.
No romance, misturo personagens fictícios e históricos. Tem uma linha policial e de mistério (que em geral agrada a todos), e um pano de fundo mais "verborrágico" (que agrada à intelligentzia) :)
Em 2012 (se o primeiro romance fizer certo sucesso, é claro), publico outro, desta vez uma "bilogia" (dois livros) :) pela mesma editora, sobre o povo persa. Na mesma linha, a do romance histórico. Misturo personagens reais e fictícios. Não perca! Aventura, grandes batalhas e romance (risos). Não tem Pickwick e o seu amigo O., todavia, tem outros personagens interessantes, Ciro, o Grande, o rei Creso, dentre outros.

- Desabilitei a opção de comentário no último post por que sinto-me meio-constrangido com o fato de há mais de três semanas, por falta de tempo, não visitar nenhum blog.

Independente do seu talento apurado na escrita, aprecio os seus comentários. É um bom amigo da boa gente do condado.

Um abraço!

JADY*ALVES disse...

Vim visitá-lo e pude ver tanto de você nestes versos...Lindo e sensivel tudo por aqui. Parabéns poeta, respirei poesia e voltarei pra absorvê-lo um pouco mais.Abraços ternos.

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