domingo, 31 de julho de 2011
Eu, o outro
sábado, 23 de julho de 2011
domingo, 17 de julho de 2011
Dizeres e um querer dizer

domingo, 3 de julho de 2011
De tanto você
Não sei bem se foram os mesmos dias perdidos e as noites caminhadas sem rumo de tanto que você me perseguia, predadora sombra material, pesada e densa como uma sopa de imprecisões que eu tomasse de tanto frio e solidão, afinal li tantos livros, ouvi tantas músicas, quase consigo medir o tanto de chuva que caiu no último mês. Perdi um pouco o prumo e o rumo dos caminhos esqueci. De tanto você, parece mesmo é que esqueço o rumo da prosa e me acabo em poesia, uma poesia que mistura os sabores e se inquieta dentro de mim. De tanto você me perco porque desvaneço ardendo das febres que você inspira por dentro e das vodkas servidas às tantas e em chamas. De tanto você nada resolvo com a luz não me envolvo e não volvo para ver Almodóvar te colorir. Fico te assistindo alegórica, passista meteórica de cinta-liga que me desliga e me programa para quando quiser e bem entender. De tanto você me aprisiono, me rendo, me encanto, cedo meu canto aos seus arredores deito meu pranto e adormeço para te comer melhor. De tanto você espio revistas que habitualmente não perceberia fazendo de conta prá ficar mais perto e ter uma desculpa qualquer, não me pegar boquiaberto de tanto você passar em revista meu mundo e investir artista numa tela que amanhece sem me ver. De tanto você cego meus olhos num blues de céu atônito e remoo minha cômica pose démodé. De tanto você me esquecer nem mesmo sei quem sou, imagino que talvez um verme adubando seus quintais florais, talvez brisa na finita vastidão suspensa dos seus varais, mais ainda, pó repousado nos seus poros. De tanto você nem me ver não mais me reconheço, franzo o cenho frente ao espelho que não me olha e me toco para existir. Quando estremeço e procuro alguém ao meu lado não há quem me satisfaça de tanto você.
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